Cantata Brasiliana
2020Luis Barcelos
Mestre da Mestraria
Tradição, melodia e uma voz própria para o bandolim.
Bandolinista, compositor, arranjador e professor, Luis construiu sua trajetória entre as rodas do Rio de Janeiro, a música instrumental, a canção e o histórico Conjunto Época de Ouro.

A interpretação começa quando o músico deixa de enxergar somente uma sequência de notas e passa a perceber direção, respiração, acento, repouso e intenção.
No bandolim de Luis, técnica e clareza permanecem a serviço daquilo que a música quer dizer.
O início
Luis começou a estudar música aos dez anos, em Porto Alegre. Em 2003, iniciou os estudos de bandolim com Luiz Machado e passou a integrar o grupo Reminiscências.
Os primeiros estudos de música, aos dez anos.
Início dos estudos com Luiz Machado.
Começo da carreira integrando o grupo, em Porto Alegre.
2005
No Rio de Janeiro, estudou bandolim com Pedro Amorim e improvisação com Eduardo Neves. Aproximou-se da Escola Portátil de Música e de uma comunidade em que o choro não existia apenas como repertório, mas como convivência.
“A roda transforma conhecimento em reflexo.”
Na roda, o músico precisa reconhecer a forma, ouvir a condução dos violões, entender o espaço do cavaquinho, perceber o pandeiro e dialogar com os instrumentos melódicos.
Não um currículo, mas o desenho de uma trajetória — das rodas aos palcos, da escuta à criação.
Ao longo de sua trajetória, Luis dividiu palcos, gravações e projetos com diferentes gerações da música brasileira.
Uma linhagem
Como integrante do Conjunto Época de Ouro, Luis participa de uma das formações mais emblemáticas do choro brasileiro. Não se trata apenas de interpretar um repertório histórico. Trata-se de compreender uma sonoridade coletiva e continuar essa linguagem com responsabilidade e presença.
Luis integra uma formação criada em torno de Jacob do Bandolim e ligada à sua tradição.
O Conjunto Época de Ouro foi criado em torno de Jacob do Bandolim e representa uma das grandes linhagens do choro brasileiro.
Como encontrar uma voz própria dentro de uma tradição tão grande?
A tradição permanece viva quando repertório, escuta e critérios continuam circulando entre músicos — e quando novas interpretações e composições passam a fazer parte dessa história.
Tradição e criação não são opostos: são movimentos interdependentes.
Nos trabalhos autorais de Luis, o bandolim atravessa choro, samba, valsa, toada, bolero, fado e canção. O instrumento deixa de ser apenas solista e se torna uma voz capaz de construir atmosferas e narrativas.
Trabalhos autorais e colaborativos.
O trabalho autoral de Luis evita transformar a música instrumental em uma demonstração permanente de velocidade. A técnica existe para construir direção, atmosfera e comunicação.
Execução técnica não é desvalorizada. A interpretação é o seu aprofundamento.
Como acompanhador, Luis desenvolveu uma escuta atenta à voz, ao texto, à dinâmica e ao espaço. O bandolim pode responder, sustentar, criar contracantos ou simplesmente deixar a canção respirar.
Além do palco
Sua experiência como professor atravessa o ensino do instrumento, o repertório, a harmonia, a improvisação e a linguagem do choro. O objetivo não é fazer o aluno acumular músicas, mas compreender o que cada música pode ensinar.
Reconhecer direção, clímax, repouso e intenção dentro de uma frase.
Usar ataque, duração e acentuação para organizar a fala do instrumento.
Estudar cada música como um mapa de formas, cadências, motivos e escolhas.
Aprender a responder, sustentar, criar contracantos e deixar espaço.
Variar, desenvolver motivos e criar sem perder a identidade do repertório.
Escutar o regional e encontrar a função do bandolim dentro da conversa.
Transformar linguagem assimilada em novas melodias, formas e caminhos.
Conhecer profundamente a tradição para tomar decisões musicais próprias.
Cada camada acrescenta sentido à anterior — da sequência correta de notas até o encontro da frase com o conjunto.
Representação gráfica — não é notação musical.
A sequência correta.
A formação não promete domínio completo nem resultado garantido. Ela abre um caminho de desenvolvimento progressivo.
Uma especialização da Mestraria.
Uma formação para compreender o bandolim como instrumento de melodia, interpretação, acompanhamento, improvisação e criação dentro da música brasileira.
“O bandolim começa como instrumento e se torna voz.”
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Uma especialização da Mestraria com Luis Barcelos.